📋 Sumário da Obra
- —Advertência & Contexto Histórico
- ICapítulo I: A Origem da Franco-Maçonaria
- IICapítulo II: Descrição da Loja do Cygne no Strand, Londres
- IIICapítulo III: A Cerimônia de Recepção e a Palavra do Aprendiz
- IVCapítulo IV: O Catecismo dos Aprendizes e Companheiros
- VCapítulo V: Descrição do Painel do Grau de Mestre Maçom
- VICapítulo VI: A Cerimônia de Recepção da Palavra de Mestre
- VIICapítulo VII: O Catecismo Completo dos Mestres Maçons
- VIIICapítulo VIII: A Loja de Mesa e o Exercício da Artilharia da Pólvora
Advertência do Tradutor e Contexto Histórico
A onda de revelações na França e na InglaterraPublicado originalmente em 1751 sob o título *Le Maçon démasqué, ou le vrai secret des francs maçons*, e posteriormente traduzido para o inglês sob o título *Solomon in all his Glory* (1768), esta obra integra o acervo mais importante de "divulgações" do século XVIII. Escrita sob o pseudônimo de Thomas Wolson, oficial do exército e ex-mestre de uma pretensa loja de Londres instalada na taverna do Cygne (*Swan Tavern*) no Strand, o texto visa desmistificar a franco-maçonnerie aos olhos do público profano.
O livro é de valor inestimável para os arqueólogos rituais, pois registra as práticas exatas de meados do século XVIII, em uma época anterior à fixação definitiva do Rito de Emulação e do Rito Francês. A tradução que apresentamos a seguir é literal e cobre a totalidade das seções do texto original.
A Origem da Franco-Maçonaria
A antiguidade da Arte e a construção do TemploA Franco-Maçonaria, segundo os relatos e tradições que os próprios maçons preservam, tem por fundação original a construção do Templo de Salomão em Jerusalém. Os segredos da Ordem foram originalmente concedidos aos construtores e operários para distingui-los em graus de acordo com a sua proficiência e habilidade, de modo que cada um recebesse o salário que lhe era devido de forma ordenada.
Os segredos, que consistiam em palavras, toques e sinais de reconhecimento particulares, foram guardados com extremo juramento e transmitidos de mestre a discípulo ao longo das eras. Após a destruição do Templo de Jerusalém, os operários espalharam-se pelo mundo inteiro, levando consigo a arte geométrica e a constituição secreta da Ordem. Na Idade Média, esses construtores uniram-se em guildas e corporações com privilégios papais e reais, das quais descende diretamente a instituição especulativa de nossos dias.
Descrição da Loja do Cygne no Strand, Londres
A disposição física do templo primitivoA Loja de recepção descrita por Wolson é disposta em uma sala retangular no andar superior da taverna. O recinto deve estar livre de janelas de onde os vizinhos ou transeuntes possam espiar os rituais. À entrada da sala, posiciona-se o Guarda Externo ou Cobridor, munido de uma espada desembainhada para garantir a segurança da Loja.
No pavimento do salão, desenha-se com giz e carvão (que são limpos imediatamente após a recepção para não restar vestígios) o painel da Loja. Este desenho contém as duas grandes colunas Jaquim e Boaz à entrada, três janelas, as ferramentas de esquadro, compasso e nível, além de um pavimento mosaico quadriculado no centro.
O Venerável Mestre senta-se no Oriente, tendo diante de si uma mesa iluminada por três velas dispostas em triângulo. O Primeiro Vigilante senta-se no Ocidente e o Segundo Vigilante no Sul, ambos responsáveis por dirigir os irmãos e supervisionar os trabalhos.
A Cerimônia de Recepção e a Palavra do Aprendiz
O ritual de recepção do candidato ao primeiro grauO candidato é conduzido pelo seu padrinho a uma sala reservada, onde é despojado de qualquer metal ou dinheiro que traga consigo. Em seguida, vendam-lhe os olhos, despem-lhe o joelho esquerdo e calçam-lhe apenas o pé esquerdo, deixando o pé direito descalço. Com a camisa semiaberta expondo o peito esquerdo, ele é levado à porta da Loja, onde seu guia dá três fortes batidas.
Introduzido na Loja após a autorização do Venerável Mestre, o candidato caminha cambaleante na escuridão por três voltas ao redor do painel desenhado no chão. O Venerável Mestre então lhe pergunta o que busca, ao que ele responde: "A Luz da Maçonaria".
Conduzido ao Oriente, o candidato se ajoelha diante do altar com o joelho esquerdo nu sobre o esquadro, enquanto sua mão direita repousa sobre a Bíblia aberta. Nesse estado, ele pronuncia o juramento de nunca revelar os segredos da Maçonaria sob pena de ter o pescoço cortado, o coração arrancado e as suas cinzas lançadas ao vento.
A venda é removida, e a luz das velas inunda seus olhos. O Venerável Mestre aponta para a Bíblia, o Esquadro e o Compasso e lhe explica os sinais, o toque de Aprendiz e a Palavra Sagrada do grau, que é **Boaz**.
O Catecismo dos Aprendizes e Companheiros
A instrução primitiva na íntegraA instrução dos Aprendizes e Companheiros no século XVIII baseava-se em um diálogo longo e minucioso de perguntas e respostas. Apresentamos aqui a íntegra desse catecismo histórico:
Descrição do Painel do Grau de Mestre Maçom
Os símbolos do túmulo de HiramO painel de Mestre Maçom em 1751 exibe elementos fúnebres que chocavam e impressionavam o iniciado. No centro do pavimento, desenha-se a representação de um caixão de cor preta, contendo a inscrição do nome de Hiram Abif e a idade da lenda (3000 anos).
Ao redor do caixão, são desenhados ossos cruzados, uma caveira humana no topo e ramos de acácia brotando nas laterais. O desenho também exibe três pegadas no lado esquerdo do túmulo, marcando a posição dos três maus companheiros que assassinaram o mestre na porta do templo.
O esquadro e o compasso estão dispostos de forma cruzada sobre o caixão, demonstrando que a carne e a matéria perecem sob a morte, mas as ferramentas da retidão espiritual permanecem eternamente gravadas na memória da Loja.
A Cerimônia de Recepção da Palavra de Mestre
A elevação e os cinco pontos do companheirismoPara a recepção no terceiro grau, o Companheiro é introduzido no templo que está decorado inteiramente em preto, iluminado por nove luzes apagadas, restando apenas uma vela acesa no altar do Oriente. Ele é questionado sobre sua retidão e o progresso de seu trabalho de canteiro na Câmara do Meio.
Ao reviver o drama da morte do arquiteto, o candidato é golpeado simbolicamente com um malho de madeira pelo Segundo Vigilante no Sul e cai sobre o caixão desenhado no chão. Ele é coberto com um pano preto mortuário pelos irmãos presentes.
O Venerável Mestre aproxima-se do corpo e declara que a palavra original de mestre está perdida com a morte de Hiram, e que devem estabelecer uma palavra substituta que será a primeira palavra ouvida após o levantamento do mestre.
Utilizando o **Toque de Garra de Mestre**, o Venerável Mestre levanta o candidato pelos chamados **Cinco Pontos de Companheirismo**:
1. Pé com pé;
2. Joelho com joelho;
3. Peito com peito;
4. Mão direita nas costas;
5. Boca ao ouvido para sussurrar a nova palavra.
O candidato levantado recebe a nova palavra sagrada dos mestres: **Mac-Benac**.
O Catecismo Completo dos Mestres Maçons
Perguntas e respostas secretas dos MestresO catecismo de Mestre revela o entendimento filosófico sobre a ressurreição mística de Hiram e os símbolos fúnebres:
A Loja de Mesa e o Exercício da Artilharia da Pólvora
A linguagem festiva e militar dos banquetes francesesOs banquetes da Maçonaria do século XVIII eram chamados de "Loja de Mesa". Para manter a discrição perante os garçons profanos da taverna, os maçons criaram uma terminologia militar e de artilharia para cada objeto na mesa:
- O **Vinho** era a *Pólvora* (Pólvora Forte para vinho tinto, Pólvora Fraca para vinho branco).
- A **Água** era a *Pólvora Branca*.
- Os **Copos** eram *Canhões*.
- As **Garrafas** eram *Barris de Pólvora*.
- A **Comida** era a *Munição*.
- Os **Pratos** eram as *Telhas*.
- As **Facas** eram as *Espadas*.
- Os **Garfos** eram as *Picaretas*.
Quando o Venerável Mestre desejava propor um brinde ritual, ele exclamava em voz alta: *"Carregar os Canhões!"* Os irmãos enchiam os copos com a pólvora selecionada e erguiam-nos em uníssono. Ao comando de *"Fogo!"*, todos descarregavam os canhões (bebiam o vinho) em três tempos compassados, tocando os copos com precisão na mesa antes de aplaudirem com a bateria do grau.
Esses momentos de recreação eram altamente valorizados, pois permitiam a descontração fraternal após os sérios debates e exames intelectuais realizados durante os trabalhos ritualísticos.