⚠️ Nota de Transparência

Tradução realizada por Inteligência Artificial, com base na obra original. Produzida e publicada exclusivamente para o Dicionário Maçônico — dicionariomaconico.com.br.

Biblioteca Maçônica Clássica

Ilustrações da Maçonaria

Illustrations of Masonry

William Preston  ·  Londres, 1772  ·  Tradução para o Português Brasileiro

Uma das obras mais influentes e abrangentes já escritas sobre a Maçonaria especulativa. William Preston (1742–1818), distinto irmão da Grande Loja da Inglaterra, sistematizou com rigor e erudição a história, os princípios, os graus e as obrigações da Ordem, compondo um monumento literário que moldou o ritual e o pensamento maçônico por mais de dois séculos.

Prefácio do Autor

Prefatory Address — William Preston, 1772

Ao apresentar ao público esta coleção de materiais relativos à ciência da Maçonaria, o Autor sente-se compelido a oferecer algumas observações que possam justificar a sua empreitada, e ao mesmo tempo advertir o leitor acerca da natureza e do propósito da obra.

A Maçonaria tem sido objeto de ataques injustos por parte de homens que, por ignorância ou malícia, procuraram desfigurá-la ou envolvê-la em ridículo. Contra tais imputações, o presente trabalho pretende erigir uma defesa sólida e documentada. Não se trata de revelar o que é ou deve permanecer oculto — os segredos da Ordem são zelados por laços de honra que nenhuma publicação poderia, nem deveria, dissolver. O que aqui se propõe é tão-somente lançar luz sobre o que é público, histórico e moral, a fim de que o mundo externo possa julgar com maior equidade uma instituição que conta, entre os seus membros, com muitos dos mais distintos ornamentos da sociedade civil.

A história da Arte, desde os seus mais remotos princípios até ao estado em que se encontra nos tempos atuais, é exposta com a maior exatidão que as fontes permitiram. O Autor percorreu com paciência os escritos de historiadores antigos e modernos, de filósofos e de arquitetos, reunindo tudo o que lhe pareceu pertinente à matéria. Se, nesta busca, algum fato relevante escapou à sua investigação, fica o convite aberto para que irmãos mais versados supram as deficiências com a generosidade que caracteriza a Ordem.

A exposição dos graus que compõem o corpo da Maçonaria regular — o Aprendiz, o Companheiro e o Mestre Maçom — é feita de forma a ilustrar o espírito e o alcance moral de cada um, sem jamais comprometer os mistérios que lhes são peculiares. As preleções aqui reproduzidas têm por base o sistema elaborado e aperfeiçoado nas lojas de Londres e de toda a Inglaterra, e procuram tornar a instrução maçônica ao mesmo tempo mais uniforme, mais elegante e mais eficaz.

Os encargos e as obrigações, que encerram esta obra, são tirados das fontes mais autênticas, e apresentados na linguagem sóbria e grave que convém a documentos de tão elevada importância moral. O Maçom que os meditar com atenção haverá de reconhecer, em cada artigo, a sabedoria acumulada de gerações que compreenderam ser a virtude o único fundamento verdadeiro de uma sociedade de homens livres e bem-pensantes.

O Autor encerra estas linhas com a humilde esperança de ter prestado um serviço à Irmandade e à causa da verdade. Seja qual for o julgamento do leitor sobre o mérito literário destas páginas, o móvel que as inspirou foi puro: o amor sincero à Maçonaria, à história e à difusão das luzes.

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História e Antiguidade da Maçonaria

Da Criação do Mundo às Lojas da Inglaterra

I. Das Origens Primordiais

A arte de construir, na sua acepção mais elevada, é tão antiga quanto o próprio gênero humano. Se admitirmos a narrativa sagrada como guia fiel da história primitiva, veremos que o primeiro abrigo erguido sobre a terra foi a obra das mãos do homem, estimulado pelo instinto que Deus nele depositou: o instinto de unir razão e matéria para produzir habitação, beleza e ordem.

As Escrituras nos informam que Caim, após o seu banimento, edificou uma cidade e a denominou com o nome do seu filho, Enoque. Este registro, por mais breve que seja, atesta que o impulso construtivo é anterior a qualquer sistema político ou filosófico conhecido, e que a arte de construir precedeu a própria escritura na cronologia das realizações humanas.

No período antediluviano, a tradição maçônica reconhece nos filhos de Lameque — Jubal, Jabal, Tubalcaim e Naamá — os primeiros depositários das artes que constituem os fundamentos da civilização. Jubal é proclamado o pai de todos os que habitam em tendas e criam gado; Jabal, o iniciador da música; Tubalcaim, o instrutor de todo artífice em bronze e ferro; e Naamá, a reveladora dos tecidos. Esses quatro personagens representam, para a tradição especulativa, o primeiro colégio de artistas que transmitiu o saber de geração em geração.

A grande calamidade do Dilúvio pôs termo a esse primeiro ciclo da história humana, mas não extinguiu o conhecimento. Noé, que foi salvo das águas com a sua família, preservou e transmitiu às suas três gerações — Sem, Cam e Jafé — os princípios que haviam de reedificar o mundo. É da descendência desses três patriarcas que, segundo a Maçonaria, brotaram as três grandes linhagens da humanidade e, com elas, as três correntes da sabedoria arquitetural que haveriam de convergir, séculos mais tarde, nas colinas de Sião.

II. Dos Grandes Construtores da Antiguidade

Nenhum exemplo da antiguidade ilustra com maior esplendor as aspirações da arte construtiva do que as pirâmides do Egito. Essas moles prodigiosas, erguidas há mais de quatro mil anos, continuam a desafiar a compreensão dos homens modernos e a interrogar a nossa humildade acerca dos limites do engenho humano. Que arte, que ciência, que organização foram capazes de dispor sobre a areia do deserto massas de pedra de tal magnitude, com tal precisão e tal permanência? A história não responde com certeza; a tradição maçônica contempla com reverência.

Da Caldéia e do Egito, a sabedoria construtiva passou à Fenícia e à Grécia. Os fenícios, comerciantes intrépidos e artífices habilíssimos, foram os intermediários pelo qual o saber oriental fecundou a civilização ocidental. Hiram, rei de Tiro, era o soberano de um povo cujos artesãos não tinham rivais no mundo conhecido — e foi exatamente a esta fonte que Salomão, rei de Israel, bebeu ao conceber o mais ambicioso projeto arquitetural da história sagrada.

III. Do Templo de Salomão

O Templo de Jerusalém ocupa, no sistema maçônico, uma posição absolutamente singular. Não é apenas um edifício histórico, por mais grandioso que tenha sido; é o símbolo central da arte, o ponto de convergência de todos os fios que a tradição maçônica tece ao longo de milênios. Construído por ordem do rei Salomão, filho de Davi, no quarto ano do seu reinado — circa 1000 a.C. —, o Templo representou o ponto culminante do conhecimento arquitetural da antiguidade hebraica e fenícia.

As Escrituras descrevem com minúcia as suas dimensões, os seus materiais e os seus ornamentos. O edifício principal media sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura. Era revestido de cedro do Líbano por dentro e de pedra de cantaria por fora. O Sancta Sanctorum, o lugar santíssimo, media vinte côvados em cada dimensão, formando um perfeito cubo — figura que a geometria maçônica reconhece como símbolo da perfeição e da estabilidade.

Para a execução desta obra monumental, Salomão recorreu ao auxílio do seu amigo e aliado Hiram, rei de Tiro, que lhe forneceu não apenas os cedros e os ciprestes do Líbano, mas também aquele artífice prodigioso a quem a Maçonaria venera sob o nome de Hiram Abif — o filho da viúva, mestre em toda obra de bronze, de madeira e de pedra, cujo destino trágico constitui o drama central do grau de Mestre Maçom.

Na construção do Templo trabalharam, segundo as Escrituras, trinta mil israelitas designados por turnos; setenta mil carregadores de fardo; oitenta mil canteiros nas serras; e três mil e trezentos chefes de obras. Essa multidão de operários foi distribuída e governada com ordem tão perfeita que, durante os sete anos que durou a construção, nem o som de martelo, nem o ruído de enxó, nem qualquer ferramenta de ferro foi ouvido nas imediações do edifício sagrado — pois todas as pedras foram lavradas e ajustadas nos pedreirais do Líbano e transportadas prontas para o seu lugar.

A conclusão do Templo e a sua solene dedicação ao Deus de Israel constituíram, na visão de Preston, o ápice da história maçônica antiga. Daquele ponto em diante, a dispersão dos operários — cada um portando na memória a ciência e as tradições recebidas — espalhou pelo mundo o conhecimento que havia produzido a maravilha de Sião.

IV. Da Grécia, de Roma e do Ocidente Medieval

Da Palestina e da Fenícia, os princípios da Arte passaram à Grécia, onde floresceram sob formas de beleza que o mundo jamais superou. Os grandes arquitetos gregos — Ictinos, Calícrates, Mnesicles — elevaram a colunas, o arco e o entablamento à categoria de linguagem filosófica, capaz de exprimir em pedra os ideais de harmonia, proporção e virtude que Platão exprimia em palavras. O Pártenon de Atenas, o Erectéion, o templo de Hefesto — todos esses edifícios são, para a tradição maçônica, testemunhos imperecedouros da aplicação dos princípios geométricos à celebração do divino.

Roma herdou da Grécia e ampliou com vigor próprio. Os romanos não foram apenas grandes construtores; foram grandes organizadores da arte construtiva. Os collegia fabrorum — corporações de construtores que gozavam de proteção imperial e de estatutos particulares — são identificados por muitos historiadores da Maçonaria como precursores diretos das lojas medievais. Essas corporações possuíam graus de admissão, ritos de iniciação, sinais de reconhecimento e uma hierarquia interna que espelha, em linhas gerais, a estrutura que a Maçonaria especulativa haveria de adotar séculos mais tarde.

Com a decadência do Império Romano e a invasão dos povos bárbaros, a chama da arte arquitetural correu o risco de se extinguir. Mas a Igreja, que precisava de templos para o seu culto e de construtores para erguê-los, foi a guardiã involuntária do saber. As grandes abadias beneditinas, os conventos de toda a Europa, tornaram-se escolas de arquitetura onde se preservaram e se transmitiram os conhecimentos técnicos que os séculos seguintes haveriam de aplicar na construção das catedrais góticas.

Os construtores medievais — os maîtres maçons de França, os Steinmetzen da Alemanha, os freemasons da Inglaterra — organizaram-se em guildas ou lojas itinerantes que seguiam os grandes estaleiros de catedral em catedral, de abadia em abadia. Cada loja possuía os seus segredos de ofício, as suas marcas distintivas, os seus graus de aprendiz, companheiro e mestre. O mestre de obras era ao mesmo tempo arquiteto, engenheiro e administrador; o aprendiz iniciava o seu longo tirocínio sob a tutela de um mestre experiente, aprendendo não apenas a lavrar a pedra mas a compreender os princípios que tornavam a pedra parte de um todo harmonioso.

V. Da Maçonaria em Inglaterra

A tradição inglesa faz remontar a Maçonaria organizada ao reinado do rei Athelstano (924–939 d.C.), que, segundo os antigos manuscritos conhecidos como Old Charges ou Encargos Antigos, teria concedido à Arte uma constituição formal e reunido uma Assembleia Geral em York, no ano de 926. Nessa assembleia, presidida pelo filho do rei, teria sido estabelecida a estrutura hierárquica da Maçonaria inglesa, com os seus três graus e as suas obrigações fundamentais.

Qualquer que seja o valor histórico exato dessas narrativas — e Preston, com prudência de estudioso, não as toma como literalmente cegas —, o que é certo é que a Maçonaria operativa floresceu em Inglaterra durante toda a Idade Média. As catedrais de Canterbury, de York, de Winchester, de Lincoln, de Salisbury — todos esses prodigios de engenharia e de arte gótica — são o testemunho concreto da excelência dos construtores medievais ingleses e da organização que tornava possível o seu trabalho.

A Grande Loja de Inglaterra, fundada em 1717, representou a transformação decisiva da Maçonaria operativa em Maçonaria especulativa. Quatro lojas de Londres reuniram-se na Taverna do Ganso e da Grelha, na noite de 24 de junho daquele ano, e elegeram o primeiro Grão-Mestre de uma organização que, em poucas décadas, haveria de se expandir por toda a Europa e pelas Américas. William Preston, como membro ativo da Grande Loja e da Loja de Antiquity, foi um dos artífices mais empenhados da segunda geração desta instituição renovada, e é dessa perspectiva que escreveu as suas Ilustrações.

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O Primeiro Grau: Aprendiz Aceito

Entered Apprentice — Preleção e Explicação

O primeiro grau da Maçonaria é o fundamento sobre o qual todos os demais são erguidos. Como o alicerce de um edifício bem concebido, ele deve ser sólido, amplo e firmemente assentado, para que o que sobre ele se construa possa aspirar à perfeição e à duração. O candidato que entra pela primeira vez numa loja regular dá o passo mais importante da sua vida maçônica: o passo da ignorância para a luz, do mundo profano para o universo da fraternidade e do dever.

I. Da Preparação e da Admissão

A preparação do candidato ao primeiro grau é, em si mesma, plena de significado simbólico. Despojado dos metais que carrega — pois a virtude e o mérito, e não a riqueza, são os títulos reconhecidos nesta Casa —, privado temporariamente da luz exterior, o candidato é levado a refletir sobre a condição de quem busca o conhecimento: é necessário que o homem se despoje dos preconceitos e das vaidades do mundo antes de ser capaz de receber as verdades que a Maçonaria oferece.

A admissão é precedida pela deliberação solene dos membros da loja. Nenhum homem pode ser forçado a tornar-se Maçom, e nenhum homem pode ser recusado por motivos que não sejam morais ou legais. O candidato deve ser livre, de bons costumes e bem recomendado. A unanimidade, ou pelo menos a aprovação amplamente majoritária, é condição indispensável, pois a harmonia da loja é um dos bens mais preciosos que se devem preservar.

II. Da Preleção do Primeiro Grau

A preleção do grau de Aprendiz Aceito abrange três categorias gerais de instrução, correspondentes às três joias imóveis da loja: a Pedra Bruta, a Pedra Cúbica e a Prancha de Traçar.

As Três Joias Imóveis

A Pedra Bruta representa o homem tal como nasce no mundo: informe, desprovido de educação, com as faculdades embotadas pelos vícios e pelos preconceitos. Sobre ela medita o Aprendiz, reconhecendo a sua própria condição antes de receber a instrução da Loja.

A Pedra Cúbica representa o homem que, pela educação, pela experiência e pelo esforço moral, poliu o que havia de bruto em si mesmo, tornando-se apto ao serviço de Deus e dos seus semelhantes. É o ideal a que todo Aprendiz deve aspirar.

A Prancha de Traçar representa a mente do Mestre, em que os planos da obra são concebidos e elaborados, para depois serem transmitidos aos operários que os executam. É o símbolo da sabedoria que dirige o trabalho.

III. Das Colunas e dos Pontos Cardeais

A Loja é suportada por três grandes colunas, denominadas Sabedoria, Força e Beleza. A Sabedoria é necessária para conceber e dirigir toda a obra; a Força, para sustentá-la e protegê-la; a Beleza, para ornamentá-la e torná-la digna de admiração. Estas três virtudes correspondem, na simbologia maçônica, às três grandes luzes da Loja — o Venerável e os dois Vigilantes — e aos três pilares essenciais de qualquer empreendimento humano bem ordenado.

A Loja estende-se, em sentido simbólico, do Oriente ao Ocidente em comprimento, do Norte ao Sul em largura, e da superfície da terra ao seu centro em profundidade. Esta extensão universal não é mera retórica: ela exprime a convicção de que os princípios maçônicos não têm fronteiras geográficas nem barreiras de raça ou de condição, e que a fraternidade que eles estabelecem é, em teoria, coextensiva com a humanidade.

IV. Das Sete Artes Liberais

O Aprendiz é instruído acerca das Sete Artes Liberais, que constituem o fundamento de toda educação liberal desde a Antiguidade: Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Destas sete, a Geometria ocupa lugar de honra particular na tradição maçônica, por ser a ciência que fundamenta a arte de construir e que revela, em cada proporção e em cada ângulo, a ordem oculta que o Grande Arquiteto do Universo imprimiu na criação.

A Geometria é designada pela quinta letra do alfabeto na simbologia de algumas tradições maçônicas — letra que aparece no interior do esplêndido luminoso que decora a Loja. Pela Geometria o homem mede os astros, sonda as profundezas do mar, traça os contornos dos continentes e ergue os edifícios que desafiam o tempo. Nenhuma outra ciência toca com tanta intimidade o coração da arte maçônica.

V. Do Símbolo do Avental

O avental de pele de carneiro — branco, simples, imaculado — é investido sobre o candidato como o mais antigo e mais honroso distintivo da Arte. Mais antigo que o Tosão de Ouro, mais honroso que a Estrela e a Jarreteira, mais nobre do que qualquer outro símbolo das ordens cabaleiras do mundo, o avental maçônico distingue os homens não pelo acidente do nascimento, mas pelo mérito da virtude e do trabalho. O seu branco imaculado é um convite permanente à pureza de vida, e a sua forma utilitária recorda ao Maçom que o trabalho — o trabalho honesto, diligente e bem orientado — é a mais elevada expressão da dignidade humana.

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O Segundo Grau: Companheiro

Fellow Craft — A Escadaria, a Câmara do Meio e as Ciências

Se o primeiro grau é o alicerce, o segundo é a escadaria que conduz do chão às câmaras superiores do templo do conhecimento. O Companheiro não é mais um principiante que se orienta nos primeiros passos; é um operário em pleno exercício das suas capacidades, chamado a aplicar o que aprendeu e a preparar-se para as responsabilidades maiores que o aguardam no grau seguinte.

I. Da Passagem ao Segundo Grau

A promoção ao segundo grau é conferida ao Aprendiz que demonstrou mérito, assiduidade e progresso no estudo das verdades maçônicas. Não é um direito automático, mas uma distinção conquistada pela conduta e pela dedicação. A loja delibera sobre cada candidato com o mesmo cuidado com que o fez na admissão inicial, pois o avanço na hierarquia maçônica não é menos importante do que a admissão à Ordem.

A cerimônia de passagem ao segundo grau é distinta em forma e em conteúdo da iniciação, mas partilha com ela o mesmo espírito: a busca da luz, a superação de um obstáculo simbólico e a recepção de novos ensinamentos que ampliam e aprofundam os anteriores.

II. Das Duas Grandes Colunas

O Companheiro é instruído sobre as duas grandes colunas que se erguiam à entrada do pórtico do Templo de Salomão, e que a tradição maçônica designa pelos nomes Jaquim e Boaz. A coluna da direita, chamada Jaquim, significa «Ele estabelecerá»; a da esquerda, chamada Boaz, significa «Nela há força». Juntas, proclamam que a Loja é fundada sobre bases de firmeza e de poder moral que nenhuma força externa pode abalar.

Estas colunas, que Hirão, o artífice de bronze, fundiu por ordem de Salomão, eram de proporções majestosas: dezoito côvados de altura, doze de circunferência e quatro de espessura. Os seus capitéis, em forma de lírio, eram ornados de redes e de romãs — as redes simbolizando a unidade que liga os membros da fraternidade; as romãs, a abundância e a fecundidade dos frutos colhidos por quem persevera no trabalho e no estudo.

III. Da Escadaria de Caracol

O episódio central do segundo grau é a viagem simbólica pela escadaria de caracol que conduzia, no Templo de Salomão, do pórtico exterior às câmaras do meio, onde os Companheiros recebiam os seus salários. Esta escadaria compunha-se de três, cinco e sete degraus, cada grupo correspondendo a um conjunto de ensinamentos particulares.

Os Degraus e o Seu Significado

Os Três Primeiros Degraus aludem aos três graus da Ordem, às três grandes luzes, às três joias imóveis e às três virtudes cardeais da Maçonaria — Sabedoria, Força e Beleza — reafirmando que os ensinamentos do primeiro grau são a base indispensável de todo progresso.

Os Cinco Seguintes fazem referência às cinco ordens da arquitetura clássica — Toscana, Dórica, Jônica, Coríntia e Compósita — e aos cinco sentidos humanos, pelos quais a natureza comunica ao homem os seus ensinamentos e os quais o maçom deve cultivar e apurar a serviço da arte e da ciência.

Os Sete Últimos correspondem às sete artes liberais, às sete ciências que compõem o quadrívio e o trívio, e a outros conjuntos septenários da tradição — os sete dias da semação, os sete planetas da antiguidade, os sete sacramentos. O número sete é, em quase todas as tradições humanas, símbolo de plenitude e de perfeição.

IV. Da Câmara do Meio e dos Salários

No topo da escadaria encontrava-se a Câmara do Meio do Templo, onde os Companheiros recebiam os seus salários. A tradição maçônica interpreta este episódio em sentido inteiramente simbólico: os «salários» do Maçom são os frutos do seu próprio aperfeiçoamento — a consciência do dever cumprido, a satisfação do trabalho bem executado, a paz que resulta de uma vida ordenada pela virtude e pela fraternidade.

A Câmara do Meio é também o símbolo do estado de progresso a que o Companheiro aspira: já não é principiante, mas ainda não chegou à plenitude do Mestre. Está no meio da jornada, com o conhecimento suficiente para trabalhar com eficácia, mas com a humildade bastante para reconhecer que há muito mais a aprender.

V. Do Estudo da Natureza

O segundo grau insiste com particular ênfase no estudo da natureza como dever do Maçom ilustrado. O espetáculo do universo — a imensidão dos céus, a ordem das estações, a geometria dos cristais, a harmonia dos sons, a proporção das formas vivas — é a grande prancha de traçar em que o Grande Arquiteto inscreveu os planos da sua criação. Quem sabe lê-la com inteligência e com reverência encontra aí a prova mais eloquente da existência e da sabedoria do Ser Supremo.

Preston não hesita em identificar a filosofia natural — o que hoje chamaríamos de ciência — como uma das mais nobres ocupações do Maçom especulativo. A Maçonaria não é inimiga do saber; é, ao contrário, a sua aliada e promotora. O Maçom que cultiva a inteligência e enriquece o espírito pelo estudo honra a memória dos grandes construtores do passado e prepara-se para ser, no presente, um cidadão de utilidade e um ornamento da sociedade.

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O Terceiro Grau: Mestre Maçom

The Sublime Degree — Hiram Abif e o Mistério Central da Arte

O grau de Mestre Maçom é chamado, com toda a justiça, de grau sublime. Se os dois graus anteriores são a antecâmara e a nave, este é o Sancta Sanctorum — o lugar santíssimo, onde o Maçom é confrontado com as questões mais profundas da existência humana: a morte, a ressurreição, a imortalidade da alma e o preço da fidelidade ao dever e à honra.

I. Da Elevação ao Grau de Mestre

A cerimônia de elevação ao terceiro grau é a mais solene e a mais impressionante de todos os ritos da Maçonaria regular. Nela, o candidato não é apenas um espectador ou um receptor passivo; é o protagonista de um drama sagrado que encena os últimos momentos e a morte do arquiteto-chefe do Templo de Salomão. Pela identificação dramática com Hirão Abif, o Maçom aprende na própria carne — por assim dizer — o que significa preferir a morte à traição, e o que é a fidelidade levada à sua mais alta expressão.

Antes de ser elevado, o candidato é instrído na história do drama de Hirão, na sua significação moral e nos seus fundamentos históricos e lendários. A elevação é, em todos os sentidos da palavra, uma iniciação: um começo novo, mais profundo e mais exigente do que os anteriores.

II. A Narrativa de Hirão Abif

Hirão Abif era o filho de uma viúva da tribo de Naftali, de pai tírio — artífice em bronze, em ouro, em prata, em madeira, em linho e em pedra. Hirão, rei de Tiro, o enviou a Salomão como o mais acabado mestre das artes que o mundo então conhecia. Em Jerusalém, Hirão Abif assumiu a direção geral de todos os trabalhos do Templo, superintendendo os arquitetos e os artesãos, governando os operários distribuídos nos seus três graus e guardando, como sua mais preciosa responsabilidade, os segredos e as palavras de reconhecimento dos Mestres.

Era seu costume, segundo a narrativa, retirar-se ao Templo em construção três vezes ao dia — ao meio-dia, ao cair da tarde e à meia-noite — para render adoração ao Grande Arquiteto do Universo e receber, em solidão, a inspiração necessária à condução da obra.

«E aconteceu que três dos Companheiros, insatisfeitos com a posição que ocupavam e impacientes para receber honras que ainda não haviam merecido, conspiraram para arrancar ao Mestre, pela força, a palavra secreta que somente os Mestres Maçons possuíam. Apostaram-se às três portas do Templo — ao Sul, ao Ocidente e ao Leste — e esperaram a passagem do Mestre.»

Ao sair pela porta do Sul, Hirão foi abordado pelo primeiro dos três renegados, que exigiu a palavra do Mestre. Hirão respondeu com firmeza que aquela palavra não podia ser comunicada assim — que havia um tempo e um modo para tudo, e que a paciência e o mérito eram as únicas vias legítimas para a obtenção das honras que a Arte conferia. O renegado, furioso, golpeou-o na têmpora com a regra; Hirão recuou, ferido, e procurou sair pela porta do Ocidente.

Na porta do Ocidente encontrou o segundo conspirador, que renovou a exigência. Hirão renovou a recusa com igual firmeza e igual dignidade. O segundo renegado, arrebatado pela cólera, vibrou-lhe um golpe de esquadria no pescoço; Hirão caiu, mas ainda se arrastou até à porta do Leste, com as últimas forças que lhe restavam.

Ali, na porta do Oriente, o terceiro dos renegados aguardava. Pela última vez, Hirão recusou trair o juramento que havia feito e a confiança que havia recebido. O terceiro golpe — de malho na fronte — foi o golpe fatal. Hirão Abif, o Mestre-Arquiteto, caiu morto no limiar do próprio Templo que havia erguido, fiel até ao último instante ao seu dever e à sua honra.

III. Da Busca e da Recuperação

A morte de Hirão foi logo percebida pelo seu prolongado silêncio e pela desordem que se instalou nos trabalhos do Templo, pois os planos e as instruções só por ele podiam ser comunicados. Salomão enviou quinze Mestres Maçoms em busca do seu arquiteto. Após longa procura, encontraram o túmulo improvisado onde os assassinos o haviam sepultado, assinalado por um ramo de acácia que brotara sobre a sepultura. A palavra perdida não pôde ser recuperada dos lábios do morto; em seu lugar, foi estabelecida uma palavra substituta, que desde então é a senha de reconhecimento entre os Mestres da Arte.

Os três renegados foram capturados e receberam a punição exemplar que o crime exigia. Mas a perda do Mestre — e com ele, da palavra original — ficou gravada para sempre na memória da Ordem como o mais solene dos ensinamentos: que há valores pelos quais vale a pena morrer, e que a traição, mesmo quando bem-sucedida, conduz inevitavelmente à sua própria punição.

IV. Do Simbolismo do Terceiro Grau

A morte e a «ressurreição» simbólica de Hirão Abif — reencontrado e levantado pelo Mestre por meio do agarre forte do leão — é a expressão dramática das grandes verdades que a Maçonaria proclama acerca da condição humana. A morte é real e inevitável; mas a fraternidade, a memória e a perpetuação dos princípios que o homem de mérito encarna são formas de imortalidade ao alcance de todos os que vivem bem e trabalham com retidão.

O ramo de acácia, que assinalou o túmulo de Hirão e que o Mestre Maçom carrega como símbolo, é a imagem universal da imortalidade da alma: planta perene, de madeira incorruptível, que medra no deserto e resiste ao tempo. O Maçom que medita sobre este símbolo é convidado a refletir sobre a efemeridade de tudo o que é material e sobre a permanência de tudo o que é moral e espiritual.

O terceiro grau conclui com a instrução do novo Mestre nos sinais, tokens e palavras que lhe permitem identificar-se perante os seus irmãos no mundo inteiro, e com a exortação a que aplique os ensinamentos recebidos na condução da sua vida e dos seus trabalhos. A Maçonaria não termina nos ritos da Loja; começa, pelo contrário, na porta pela qual o Mestre saí para o mundo.

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Preleções na Iniciação, Passagem e Exaltação

Charges at Initiation, Passing, and Raising

I. Preleção na Iniciação ao Primeiro Grau

Encargo ao Iniciado — Aprendiz Aceito

Irmão N., ao ser admitido entre nós, recebestes um privilégio raro e, ao mesmo tempo, assumistes obrigações sérias. A Maçonaria não é uma sociedade de passatempo nem um clube de conveniências mundanas: é uma fraternidade fundada sobre os princípios imutáveis da Moralidade, da Fraternidade e da Obediência às leis de Deus e do homem. Esperamos de vós que honreis estes princípios não apenas dentro desta loja, mas em todas as horas e em todos os lugares da vossa vida.

Sede obediente às leis da vossa pátria, respeitosos para com os vossos superiores, afáveis e atenciosos para com os vossos iguais, e benevolentes e compassivos para com todos os homens. Guiados por estes princípios, não podereis desonrar a Ordem que hoje vos acolheu; e podereis, com o favor do Altíssimo, tornar-vos membros úteis à sociedade, adornos da fraternidade e exemplos vivos do poder civilizador da Arte Maçônica.

A preleção que se segue à iniciação recorda ao novo Aprendiz os deveres que contraiu: comparecer regularmente às sessões da Loja; estudar com diligência os ensinamentos da Arte; comportar-se com decência e respeito para com os irmãos mais velhos; guardar inviolavelmente os segredos que lhe foram confiados; e contribuir, na medida das suas forças, para o sustento dos irmãos necessitados e das suas famílias.

O jovem Aprendiz é também advertido dos perigos do descuido e da leviandade. A Maçonaria não tolera nas suas fileiras homens de conduta desonrosa, que manchem com os seus vícios privados o bom nome de uma Ordem que se orgulha de contar com os mais distintos cidadãos entre os seus membros. O avental branco que lhe foi conferido é o símbolo da pureza a que está obrigado; o dia em que o tiver maculado, terá traído não apenas a Ordem, mas a si mesmo.

II. Preleção na Passagem ao Segundo Grau

Encargo ao Companheiro

Irmão N., ao serdes elevado ao segundo grau de nossa Ordem, uma nova e mais ampla perspectiva se abre diante de vós. Sois agora convidados a estender os vossos estudos às ciências naturais e liberais, e a aplicar os princípios da Geometria — a rainha das ciências — ao exame do universo em que vivemos. O mundo inteiro é a vossa escola; cada fenômeno da natureza, um ensinamento; cada obra do engenho humano, um estímulo.

Os vossos deveres para com a Ordem cresceram na medida em que cresceram os vossos privilégios. Deveis agora, por palavras e por exemplo, instruir os Aprendizes que vos são confiados; deveis representar a vossa loja com dignidade nas ocasiões públicas; e deveis manter, em todos os instantes, a conduta irrepreensível que a honra de um Companheiro exige.

O Companheiro é também instruído acerca das origens históricas do segundo grau, da sua relação com o sistema das corporações medievais de construtores, e do modo pelo qual a Maçonaria especulativa recuperou e reinterpretou as práticas operativas das antigas Guildas. Esta instrução histórica não é mero ornamento erudito: ela fornece ao Companheiro o sentido de continuidade e de pertença a uma tradição viva que o conecta com todos os grandes construtores do passado.

III. Preleção na Exaltação ao Terceiro Grau

Encargo ao Mestre Maçom

Irmão N., a honra que acabais de receber é a mais elevada que a Maçonaria regular pode conferir. Sois agora Mestre Maçom — título que, ao longo de séculos, designou os mais hábeis e os mais dignos dentre os operários da Arte. Com este título vêm responsabilidades proporcionais: sois agora o guardião pleno dos segredos e das tradições da Ordem; sois o exemplo vivo do que a Maçonaria pode fazer do homem que a ela se entrega de coração inteiro.

Meditai sobre a história de Hirão Abif, que acabastes de representar. Nela vedes o preço da fidelidade e a recompensa — não neste mundo, mas no eterno — que aguarda os homens que preferem a morte à traição. Meditai sobre o ramo de acácia, símbolo da imortalidade da alma e da perenidade dos princípios. E meditai sobre a palavra perdida, que nos recorda que há verdades que o homem busca toda a sua vida e que só encontra plenamente além desta existência.

Ide, pois, como Mestre, e tornai-vos em tudo o que fizerdes um testemunho vivo do poder transformador da Maçonaria.

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Encargos Gerais e Obrigações

General Charges — Deveres do Maçom perante Deus, o País e a Fraternidade

I. Deveres para com Deus e a Religião

Um Maçom está obrigado, pela sua obrigação, a obedecer à lei moral. E se compreender bem a Arte, jamais será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso. Embora na antiguidade os Maçons fossem obrigados, em cada país, a professar a religião da terra ou da nação, qualquer que ela fosse, hoje considera-se mais conveniente obrigá-los somente àquela religião em que todos os homens concordam, deixando as suas opiniões particulares para eles mesmos — isto é, ser bons homens e verdadeiros, homens de honra e de probidade, independentemente das denominações ou persuasões que os possam distinguir.

Desta sorte, a Maçonaria se torna o centro de união e o meio de conciliar a amizade verdadeira entre pessoas que de outro modo teriam permanecido perpetuamente afastadas umas das outras.

II. Deveres para com os Magistrados Civis

Um Maçom é um pacífico sujeito às Potestades Civis, onde quer que resida ou trabalhe. Nunca será envolvido em complôs e conspirações contra a paz e o bem-estar da nação, nem se comportará de forma desobediente com os magistrados inferiores. Porque, assim como a Maçonaria sempre foi lesada por guerras, sangue derramado e discórdias, assim os reis e os príncipes antigos sempre foram dispostos a encorajá-la em tempo de paz, pois ela tendia a reforçar a amizade e a boa vontade entre os homens de diferentes fações e interesses.

Portanto, nenhuma inovação particular nos governos dos Estados pode ser suficiente para os Maçons para mudarem os seus compromissos particulares com o poder soberano do lugar onde residem ou trabalham, ou devem agir como o demandam as suas obrigações morais e maçônicas, que ensinam-nos a ser fiéis e a honrar toda autoridade constituída, e especialmente o monarca reinante.

III. Deveres para com a Loja

Um Maçom deve pertencer a uma Loja regular, e frequentar as suas sessões com a maior assiduidade que as suas obrigações lhe permitam. Deve obedecer às ordens do Venerável e dos Vigilantes com prontidão e respeito; contribuir para as despesas comuns na medida das suas possibilidades; e abster-se de toda querela ou disputa que possa perturbar a paz e a harmonia da Loja, que deve ser o santuário de uma amizade verdadeira e de um trabalho comum.

Nenhum Maçom pode ser expulso da Loja sem julgamento regular e por causa provada; mas toda Loja tem o poder de corrigir os seus membros pelos meios que os seus regulamentos prescrevem, e de excluí-los se a gravidade das suas faltas assim o exigir. A honra da Irmandade está acima do interesse de qualquer membro em particular.

IV. Deveres para com os Irmãos

Todo Maçom deve saudar e reconhecer os seus irmãos onde quer que os encontre; socorrê-los nas suas necessidades na medida das suas possibilidades; guardar os seus segredos com a mesma fidelidade com que guarda os da Ordem; e abster-se de toda ação que possa prejudicar a reputação, os interesses ou a família de um irmão. Este último ponto é de extrema importância: o Maçom que lesiona um irmão sem motivo, ou que o calunia nas costas, ou que lhe seduz a família, viola os princípios fundamentais da Ordem e torna-se indigno do nome que carrega.

Os irmãos visitantes devem ser recebidos com hospitalidade e cortesia, contanto que tenham provado a sua qualidade de maneira satisfatória. A hospitalidade maçônica não é mera convenção social; é a expressão concreta de uma fraternidade que não reconhece fronteiras de país, de raça ou de língua.

V. Deveres para com os que estão fora da Ordem

Um Maçom deve ser um bom cidadão, respeitoso da lei e atento ao bem comum. A Maçonaria não é uma sociedade que se isola do mundo; é, ao contrário, uma escola de virtude que deve produzir frutos de utilidade pública. O Maçom que não é um bom pai, um bom marido, um bom vizinho e um bom cidadão, não é um bom Maçom, independentemente do grau que ostente ou do cargo que ocupe.

Os Maçons são especialmente encorajados a exercer a caridade para com todos os homens — irmãos ou não — na medida das suas possibilidades. A caridade maçônica não é uma virtude exclusiva; é o transbordamento natural de um coração formado pela Ordem para o amor ativo do próximo. Em cada necessitado que socorre, o Maçom honra a memória de todos os grandes filantropos que a Arte produziu ao longo dos séculos.

VI. Do Comportamento em Sociedade

Em toda companhia, o Maçom se conduzirá com prudência e com discernimento. Não revelará os segredos da Ordem a quem a eles não tenha direito; não discutirá questões maçônicas em lugares ou momentos impróprios; não exibirá os símbolos ou os distintivos da Ordem de modo a expô-los ao ridículo ou ao desrespeito. A discrição é a primeira filha da prudência, e a prudência é uma das virtudes que a Maçonaria mais valoriza e mais cultiva.

Ao mesmo tempo, o Maçom não tem motivo de se envergonhar da sua pertença à Ordem. Ao contrário, deve afirmá-la com dignidade quando for oportuno, e fazer da sua vida a mais eloquente defesa da Maçonaria diante de todos os que a ignoram ou a caluniam. O melhor argumento em favor de qualquer associação é o exemplo concreto da excelência dos seus membros.

Encerramento: O Ideal do Maçom Perfeito

O verdadeiro Maçom é aquele que, pela assídua frequência à Loja e pelo estudo diligente dos ensinamentos da Arte, formou em si mesmo um caráter que honra a Ordem em todos os momentos e em todos os lugares. Ele é sábio sem arrogância, forte sem crueldade, belo sem vaidade. Ele é fiel ao seu Deus, leal ao seu país, honrado para com todos os homens e fraternal para com os seus irmãos. Ele trabalha enquanto há luz, repousa com a consciência tranquila e contempla o alvorecer de cada novo dia como uma nova oportunidade de servir ao Grande Arquiteto do Universo nas obras da sua criação.

Tal é o ideal que William Preston propôs à sua geração — e que permanece, dois séculos e meio depois, como convite e como desafio a todos os que buscam nas verdades eternas da Maçonaria um caminho para a perfeição humana.

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